Desenho

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Quando peguei o papel, não sabia o que fazer. Era apenas um refúgio óbvio, mas ainda sem sentido. Fiquei vários minutos imóvel, pensando em tudo, em nada, nisso, naquilo. Sentada na cama, notei minha pele branca, marcada pela tatuagem, e então notei como as coisas não precisam ser como são. Há sempre uma maneira de desenhar por cima, de recriar e reinventar a vida.

Acostumamo-nos com rotinas e cotidianos que começaram por algum motivo, um dia, e mergulhamos num transe que nos faz pensar que só existe aquela água, doce. E nos esquecemos do mar. Daquele sal que nos cura, que nos purifica e liberta a alma. Daquele espelho que se mistura com o azul do céu, e nos aponta diversos caminhos.

Provavelmente, aqui, parada, olhando essas pernas brancas, marcadas pela tinta preta, permanente, confundo as coisas, as cores, os tempos. Vontades. Até mesmo isso se despedirá um dia. Então, percebo o quão egoísta é o ato de gastar toda uma vida sem arriscar novas aventuras.

Aventuras válidas, vividas em conjunto. Não há espaço para nada platônico, para invenções solitárias ou desejos contidos. Existe somente espaço para histórias, para momentos especiais, detalhes que não são detalhes, e amor… Muito amor, do tamanho do mar. Que se junta com o céu, e se torna infinito.

Estou aqui, neste refúgio familiar, e ainda não sei muito bem o que fazer. As palavras somente se desprendem. Mas de uma coisa tenho certeza: existe algo mudando dentro de mim: é água de mar, é tatuagem, é palavra, é sentimento. É uma coisa boa, disso sei.

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