Movimento

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Os fios castanhos vão tomando seu lugar de direito. O rosto, sempre limpo, já tem traços mais fortes, mas o olhar ainda é aquele brilhante, de sonhos, de menina. Apertado, pequeno, mas suficiente pra ver o mundo de uma forma única e particular. O sorriso porém, ficou mais leve, com traços mais descansados, de quem aprendeu onde achar a felicidade. A onda do riso vem, despreocupada. Os olhos se fecham que é pra sentir mais fundo.

A fase é de certezas e mais jornadas, anseios e descobertas. Conquistas. Paz de espírito define bem o que é deitar o corpo na cama macia e saber exatamente o que se quer ou não. Ainda é preciso alguns ajustes. Mas quando irão cessar? Tiros pela culatra, e ações movidas por uma vontade oculta ainda acontecem, com menos freqüência, é verdade. Mas aos poucos as coisas vão chegando ao lugar. Elas vão dando certo devagarzinho, molinho, até fazerem o estalinho do encaixe.

É certo que, assim como as tatuagens na pele, algumas marcas ficam. Essas o tempo não meche. É proibido, inconstitucional, impossível. São lembranças, dons, emoções e sentimentos. Gosto que fiquem, já que preenchem o vazio do espírito. É tudo a questão do equilíbrio. Nada de muito velho, nada de muito novo. O presente tem de ser dosado, na medida em que me faz viver com lucidez e loucura.

É assim que eu gosto. Daquele sentimento de que eu estou num processo de me conhecer. Do meu infinito particular. De saber que encontrei o meio termo, e estou aprendendo a me equilibrar como andar de bicicleta tirando as rodinhas. E assim vai. Viver com o vento entre os fios castanhos, bagunçando os que estão naturalmente voltando a preencher a cor de mim, é muito mais gostoso. É feliz.

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