Primeira leitura do ano: Mrs. Dalloway

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Mrs_Dalloway

Uma vontade antiga me inquietava: ler Virginia Woolf.

Eis que surge uma oportunidade tentadora em um dos meus dias de “surto livresco”. Comprei uma boa quantidade de livros, e dentre eles estava Mrs. Dalloway, com tradução feita por Mário Quintana. Como não amar o cheiro de um livro novo? E como resistir a tentação de vários? Na primeira oportunidade de viagem, carreguei três deles na mala, e escolhi na sorte (e por sorte) o romance de Virginia, que de início, confesso, deixou-me incomodada e bastante pensativa com relação ao que eu esperava da autora.

O fato é que este clássico da literatura estrangeira é realmente complicado de ler e também de entender. No início causa um certo estranhamento pelo fato de a narrativa misturar o passado, o presente e até mesmo o futuro, juntamente com os pensamentos dos personagens. Na verdade, admiro a ousadia da escrita e do conteúdo para a época da obra.

Com o desenrolar da história o estranhamento acabou se transformando em curiosidade. O romance nada mais é do que a história de apenas um dia na vida de uma dama de nobre linhagem em Londres, Clarissa Dalloway. Casada com um político conservador e mãe de uma adolescente, a personagem leva o leitor a uma viagem a paisagens e sentimentos na alta sociedade londrina do início da década de 1920.

Clarissa planeja uma grande festa em sua residência, e enquanto caminha pelas ruas de Londres ou se atém aos preparativos, relembra coisas da sua juventude e reflete sobre como teria sido sua vida se tivesse tomado outras atitudes, e lutado por certos amores. Algumas pessoas com quem encontra pelo caminho também ganham voz de pensamento, e a narrativa se torna uma completa mistura de vozes internas, e se você não estiver concentrado na leitura, acaba se perdendo na linha de raciocínio do romance.

Outro ponto que achei interessante e ousado para a época foi o romance juvenil que Mrs. Dalloway teve por uma amiga, Sally, incluindo até mesmo um beijo gay na trama. A personagem principal abre mão de seus reais sonhos e desejos e opta por um casamento que lhe proporcione uma vida boa e confortável, que privilegia a racionalidade em detrimento dos seus verdadeiros sentimentos.

Uma leitura inicialmente confusa, mas que aos poucos foi ganhando minha atenção e deixando minhas possíveis críticas à escritora para trás. No entanto, mantive um ponto negativo: a história não possui capítulos. Não sei qual foi a intenção de Virginia, mas o texto corrido deixa a leitura um pouco cansativa e pesada. É uma obra complexa e um belo desafio literário para quem gosta de fugir um pouco da mesmice. Além disso, Mrs. Dalloway fez com que eu me interessasse por ler mais obras da escritora. Aceito sugestões!


Ps.: A versão que comprei é da Coleção Saraiva de Bolso. O preço dos livros é inacreditável de barato, além de ser bem prático para carregar para qualquer lugar.

 

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