Semente

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São 4:28 da manhã. Acordei com um movimento vindo de dentro, acho que do estômago, ou da alma. A sensação foi de algo fecundado, crescendo, procurando espaço para viver. A primeira reação que tive foi abrir os olhos, ter a percepção do despertar, ainda no escuro, e levantar. Há algo acontecendo, que eu preciso entender, e voltar a dormir não seria a melhor opção. A melhor e mais sensata é e sempre será escrever.

Havia algo aqui dentro, querendo sair, e então percebi que sementes, quando encontram condições desejadas, começam a crescer. E os ingredientes da vida são esses embriões, plantados no coração, que, se regados e cuidados, crescem e dão lindas flores e frutos. Eu realmente acredito que existe uma árvore muito frondosa crescendo aqui dentro, e quanto mais escrevo, mais ela toma seu espaço, que é de direito.

Alguns galhos já despontaram pelos meus olhos, me fazendo ter uma visão mais nítida dos meus sonhos. Bem como a mãe que descobre sua gravidez perto da luz, percebi meu jardim já perto do seu florescimento. Durante todo esse tempo, eu vinha regando e podando, e tratando meus sonhos de forma avulsa, desordenada. Mas, pelo menos ali estava eu, de luvas e regador na mão, com a sensação de que algo devia ser feito.

Essa é a ação sem visão, sem galhos altos que te permitem ver panoramicamente. Mas o que importa é que senti, e senti fundo. Percebi de forma transparente como tudo estava bem aqui, e ali, em encaixes perfeitos, aguardando apenas meu reconhecimento, minhas regadas, minha atenção, meu desejo de ver florescer.

São 4:56. Agora que tenho total clareza sobre o que está acontecendo dentro de mim, que rompi o tegumento sem nem ao menos saber, sem sequer ter consciência de que aqui havia uma semente, quero manter as condições necessárias para ver essa árvore bem grande, forte, com suas raízes e frutos. Quero fazê-la chegar ao topo, aonde ela merece estar, e que dela nasçam novas sementes, repletas de sonhos para brotar no meu coração.

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