Sorriso

postado em: Pensamentos | 0

Era início de outubro, mas ainda chovia. Ela estava sentada em sua cama, com alguns livros à sua esquerda, e chá morno à direita. No seu colo,  teclas fazendo barulho, sobre um sorriso que há muito não aparecia. É que sorriu comprido, profundo, e isso significava muito. Ela aprendeu, primeiramente, a sorrir com a auto-companhia, e com o tilintar dos pingos na janela. Aprendeu a sorrir com o cheiro das flores, dos livros e de suas próprias roupas. Com coisas simples, como sentir o calorzinho do sol em dias gelados. Depois, aprendeu a sorrir com a barriga, com os olhos e com o coração. Descobriu que seus sorrisos vinham de dentro, e não de fora. Foi só assim, então, que chegou no último estágio do sorriso. Aquele que surge quando você está preparado para algo muito bom. Esse vai muito além da barriga, dos olhos e do coração. Ela aprendeu a sorrir com a alma. A estação, a chuva molhada lá fora, os livros, o chá, sua solidão e suas esperanças a fizeram a pessoa mais feliz do mundo, naquele momento. Sua alma sorria. Era exatamente daquilo que ela sempre precisara.

Deixe uma resposta