Sozinho

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O que você faz quando ninguém está te vendo? Dentro de nossa própria intimidade, um universo paralelo existe, como se fosse uma terra sem lei, como se pudéssemos migrar para onde reside uma possível essência da liberdade.

Dentro das minhas paredes, o que mais me dá prazer na vida é permitido: posso andar descalça e sentir o piso gelado, ou até mesmo me sentir confortável em roupas velhas. Converso sozinha e finjo que o meu cachorro, Apollo, é capaz de compreender lamentações e risadas.

Quando fico muito tempo esperando o ônibus chegar, ou quando passo um dia todo aturando as chatices e incômodos inevitáveis, fecho os olhos e sonho com as molas da minha cama, com o leite na geladeira e com os chinelos gastos. Escuto minha música preferida. E canto em alto, por que não? Encontro algumas inspirações para escrever, permito-me observar minhas flores na janela desabrochando depois da chuva, vou ao banheiro pulando quando estou muito apertada.

Naquele dia em que estou cansada, simplesmente me encaixo no silêncio e deixo o relógio cantar sozinho os segundos, os minutos e as horas, até pegar no sono como uma criança. A verdade é que quando ninguém está por perto, realmente nos permitimos agir como crianças. É que a segurança do nosso lar é como o aconchego do colo de uma mãe.

(Imagens da série de TV Sex and the City)

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